Banner de cookies e política de privacidade no site não provam adequação à LGPD. Adequação é conseguir demonstrar, com documento e registro técnico, o que a empresa faz com dado pessoal. São dez evidências.
Resumo rápido
- As dez evidências que sustentam a adequação à LGPD para empresas.
- O papel da TI em cada evidência: controle de acesso, logs, criptografia, backup, segregação de ambientes e MFA.
- Uma tabela com evidência → quem responde → como comprovar, dividindo jurídico, TI e RH.
- Checklist de autoavaliação e a fronteira entre decisão jurídica e controle técnico.
A cena: o pedido chega e ninguém tem o papel
Quinta-feira, 16h. Chega o questionário de segurança e privacidade de um cliente grande: dezoito perguntas, prazo de cinco dias. Quem acessa a base, como os dados são criptografados, quem é o encarregado.
O jurídico manda para a TI. A TI responde que contrato é com o jurídico. O RH lembra que o sistema de ponto também tem dado pessoal e nunca ninguém perguntou.
Alguém abre o site, vê o banner de cookies e a política publicada em 2021 e conclui que “estamos adequados”. Mas a política cita um encarregado que já saiu, um e-mail que ninguém lê e um processo de exclusão nunca executado.
Na sexta o questionário volta pela metade, com três “sim” que ninguém comprova. Discurso de conformidade sem prova.
O custo de não conseguir provar
A LGPD (Lei 13.709/2018), no art. 52, prevê multa simples de até 2% do faturamento no Brasil, limitada a R$ 50 milhões por infração. Multiplique seu faturamento anual por 0,02.
A sanção costuma ser o menor dos custos. O relatório Cost of a Data Breach Report 2025, da IBM, aponta custo médio de R$ 7,19 milhões por violação de dados no Brasil.
| Situação | Conta que você faz com os seus números |
|---|---|
| Questionário de cliente respondido sem evidência | Valor anual do contrato em risco × probabilidade de perder a renovação. |
| Pedido de titular sem processo definido | Horas do jurídico + TI para atender um pedido no improviso × pedidos por trimestre. |
| Incidente sem registro nem plano | Custo da hora parada (faturamento mensal ÷ horas úteis) × horas de indisponibilidade + horas de perícia. |
| Ex-funcionário com acesso ativo à base | Nº de desligamentos no ano × acessos não revogados = superfície de exposição que você não sabe medir. |
| Sanção administrativa | Faturamento no Brasil × 2%, limitado a R$ 50 milhões por infração (LGPD, art. 52). |
Nenhuma linha acima é estatística de mercado. São contas suas — e costumam superar o custo de organizar as evidências.
Não sabe quais evidências técnicas sua empresa tem hoje? O diagnóstico da Brazuca levanta acessos, logs, backup e segregação de ambientes e mostra o que já dá para comprovar. Solicite o diagnóstico gratuito.
Por que a empresa acha que está adequada e não está
Confunde comunicação com controle. Banner e política comunicam ao titular o que a empresa promete. Não provam que ela cumpre.
Trata LGPD como projeto de jurídico. O escritório entrega os documentos, o dono assina, encerra. Mas a maior parte das evidências nasce no ambiente de TI, todo dia, e envelhece rápido.
Faz uma foto, não um processo. O mapeamento foi feito uma vez. Depois entraram dois sistemas e uma planilha compartilhada com fornecedor. Em três meses a foto estava velha — e, sem responsável nomeado, ninguém atualiza.
As dez evidências que sustentam a adequação
Adequação se demonstra. São dez evidências que um cliente, um auditor ou a ANPD pedem — e o que a TI entrega.
1. Inventário de dados pessoais e registro das operações de tratamento
Qual dado a empresa coleta, de quem, em qual sistema, quem acessa, para onde vai e por quanto tempo fica.
Papel da TI: só a TI sabe onde o dado mora — arquivos, ERP, banco, nuvem, backup, e-mail, planilha na estação. Sem inventário de ativos e mapa de integrações, o registro descreve uma empresa que não existe.
2. Base legal declarada por finalidade
Cada tratamento precisa de finalidade escrita e base legal que a sustente. Folha de pagamento não usa a mesma base de e-mail marketing nem de câmera de portaria.
Papel da TI: nenhum na definição — isso é jurídico. Cabe à TI garantir que o sistema registre e revogue consentimento quando for essa a base.
3. Política de privacidade e avisos coerentes com a prática
O texto externo (site, contrato) e o interno (aviso a funcionário e candidato) precisam descrever o que acontece de fato. Política que promete o que a operação não faz é prova contra a empresa.
Papel da TI: validar cada afirmação. Se o texto diz “dados criptografados”, mostrar a criptografia em repouso e em trânsito. Se diz “retemos 5 anos”, mostrar a rotina que apaga no sexto.
4. Contratos com fornecedores que tratam dados
Contabilidade, folha, ponto, nuvem, empresa de TI, plataforma de e-mail. Todo terceiro que trata dado pessoal em nome da empresa é operador, e o contrato precisa de cláusula de proteção, sigilo e comunicação de incidente.
Papel da TI: produzir a lista real de fornecedores com acesso — inclusive acessos remotos e integrações que o jurídico não enxerga — e revogar o acesso encerrado, com data registrada.
5. Encarregado designado e canal do titular funcionando
A empresa precisa nomear um encarregado (DPO, quem faz a ponte com titulares e com a ANPD) e divulgar o contato. O erro clássico é publicar e-mail que cai em caixa sem dono.
Papel da TI: fazer o canal funcionar e deixar rastro: formulário que abre chamado com número, responsável e data — a lógica de um service desk com registro. Sem protocolo, não há prova de resposta.
6. Processo e prazo para atender pedidos de titular
O titular pode pedir confirmação, acesso, correção, portabilidade, anonimização ou exclusão. Precisa haver fluxo escrito: quem recebe, quem confere identidade, quem executa e em quanto tempo.
Papel da TI: executar. Localizar o dado em todos os sistemas, exportar em formato legível, corrigir ou apagar — inclusive no backup, sempre esquecido.
7. Controle de acesso por necessidade e registro de quem acessa o quê
Cada pessoa acessa apenas o que precisa. Acesso por perfil, aprovado, revisado, revogado no desligamento. E registrado.
Papel da TI: aqui a TI responde quase sozinha. Usuário nomeado (nada de login compartilhado), perfis por função, MFA nos acessos administrativos e remotos, logs preservados, revisão trimestral com evidência. O básico de MFA e gestão de senhas é pré-requisito.
8. Política de retenção e descarte
Dado pessoal tem prazo: currículo não aprovado, ficha de ex-funcionário, cadastro inativo, gravação de câmera. Guardar para sempre não é cautela — é aumentar o estrago.
Papel da TI: transformar o prazo definido pelo jurídico em rotina automática, com log do que foi eliminado. Inclui descarte seguro de mídia e expurgo no backup.
9. Plano e registro de resposta a incidentes
A LGPD obriga a comunicar à ANPD e aos titulares o incidente que possa acarretar risco ou dano relevante. Isso exige plano antes: quem aciona, quem decide, quem comunica, o que se registra.
Papel da TI: detectar, conter e documentar. Alerta de monitoramento, logs íntegros, backup testado e ambientes segregados. Sem log, a empresa não sabe nem quantos titulares foram afetados.
10. Evidência de treinamento das equipes
A maior parte dos incidentes começa em um clique. Treinar RH, comercial, financeiro e atendimento precisa deixar rastro: data, conteúdo, lista de presença.
Papel da TI: fornecer o conteúdo técnico (phishing, senha, dispositivo, envio de arquivo) e o registro de conclusão. O RH guarda a evidência.
Quem responde por cada evidência
| Evidência | Quem responde | Como comprovar |
|---|---|---|
| Inventário e registro de operações | Jurídico (forma) + TI (conteúdo) | Planilha ou sistema com sistemas, bases, finalidades e data da última revisão. |
| Base legal por finalidade | Jurídico | Documento que liga cada finalidade à base legal, assinado e datado. |
| Política de privacidade e avisos | Jurídico + TI (validação) | Versões publicadas com histórico e evidência técnica de cada afirmação. |
| Contratos com operadores | Jurídico | Contratos com cláusula de proteção de dados e lista de acessos concedidos. |
| Encarregado e canal do titular | Direção + TI (canal) | Ato de nomeação, contato publicado e fila de atendimento com protocolo. |
| Atendimento a pedidos de titular | Jurídico (fluxo) + TI (execução) | Chamados com data de entrada, ação executada e data de resposta. |
| Controle de acesso e logs | TI | Matriz de perfis, MFA ativo, relatório de revisão de acessos, logs preservados. |
| Retenção e descarte | Jurídico (prazo) + TI (execução) | Política com prazos e log das rotinas de expurgo, inclusive no backup. |
| Resposta a incidentes | Direção + TI | Plano escrito, registro dos incidentes e comprovante de comunicação. |
| Treinamento | RH + TI (conteúdo) | Lista de presença ou relatório de conclusão, com data e ementa. |
O que é jurídico e o que é técnico
Jurídico decide: base legal, prazo de retenção, texto de contrato, se um incidente é comunicável. TI implementa e comprova: acesso, log, criptografia, backup, segregação de ambientes, MFA, expurgo.
A Brazuca não faz consultoria jurídica e não substitui o advogado da sua empresa. Fazemos o outro lado: implantar e evidenciar os controles técnicos que o jurídico definiu — com redes, servidores e segurança estruturados para gerar prova.
Quem organiza esses controles em sistema é a ISO/IEC 27001:2022, norma de gestão de segurança da informação. Não é preciso certificar para usá-la como referência: ela dá a estrutura de controles, responsáveis e registros que a LGPD cobra. Se o básico ainda falta, comece pelo checklist de proteção de dados para pequenas e médias empresas.
Checklist de autoavaliação
- Não existe lista atualizada dos sistemas que guardam dado pessoal.
- Ninguém sabe dizer quem é o encarregado hoje.
- O canal do titular é um e-mail que ninguém confirma se lê.
- Não há fluxo escrito para atender pedido de exclusão de dados.
- Existem logins compartilhados em algum sistema.
- Não há MFA nos acessos administrativos, no e-mail ou no remoto.
- Acessos não são revisados e o desligamento não gera revogação.
- Não existe prazo definido de retenção nem rotina de descarte.
- Não existe plano escrito de resposta a incidentes.
- Contratos com fornecedores que acessam dados não têm cláusula de proteção.
Régua: até 2 itens, a base existe e falta polir. De 3 a 5, há documento mas não há prova. Acima de 5, a adequação é declarada e não sustentada — e o próximo questionário de cliente vai expor isso.
Quando chamar uma consultoria — e quando não chamar
Faz sentido chamar quando:
- clientes ou editais passaram a exigir questionário de segurança e privacidade;
- o jurídico entregou os documentos e ninguém implantou os controles técnicos;
- a empresa trata dado sensível: saúde, biometria, dado de menor;
- houve incidente e ninguém conseguiu reconstituir o que aconteceu;
- o time interno sabe o que falta, mas não tem folga nem respaldo para priorizar.
Não vale a pena quando:
- o básico não foi feito: backup testado, MFA e atualização vêm antes de conformidade;
- a empresa quer um documento para arquivar e não pretende mudar a operação;
- o que se busca é parecer jurídico — nesse caso o profissional certo é o advogado;
- a operação é pequena, com um sistema só e nenhum terceiro com acesso.
Sua adequação à LGPD tem evidência técnica?
A Brazuca levanta acessos, logs, criptografia, backup e segregação de ambientes e devolve o que já dá para comprovar e o que precisa ser implantado, em ordem de prioridade.
Sem compromisso. Resposta em até 1 dia útil.
Perguntas frequentes
Tenho banner de cookies e política de privacidade. Não basta?
Não. Os dois cobrem a comunicação com o titular no site. A LGPD alcança todo tratamento de dado pessoal: funcionário, candidato, cliente, fornecedor, câmera, ponto. E cobra demonstração. Sem inventário, controle de acesso e registro, nada se prova.
Preciso certificar a empresa na ISO/IEC 27001:2022?
Não. Certificação é decisão comercial, puxada por exigência de cliente, edital ou matriz. Usar a norma como referência é diferente e não custa auditoria: aproveita-se a estrutura de controles, responsáveis e registros que a LGPD cobra.
Já tenho TI interna. A consultoria vai passar por cima do meu time?
O objetivo é o contrário. Em geral o time interno já sabe onde estão as falhas e não tem tempo nem respaldo para priorizar. O diagnóstico vira documento com prioridade e justificativa para a diretoria. Quem executa continua sendo o time.
Quanto custa organizar essas evidências?
Depende do número de sistemas, de fornecedores com acesso e do que já existe. Boa parte é organização, não compra: nomear responsável, escrever fluxo e revisar acesso custam tempo. O diagnóstico dimensiona isso antes de qualquer proposta.
A Brazuca faz o trabalho jurídico da adequação?
Não. Base legal, política, contrato e parecer são do advogado ou do escritório especializado. A Brazuca atua no lado técnico: controle de acesso, MFA, logs, criptografia, backup, segregação de ambientes, retenção e resposta a incidentes. Os dois lados precisam existir.
Adequação é o que você consegue provar
No questionário do cliente, no pedido do titular ou no incidente, ninguém pergunta pela boa intenção da empresa. Pedem o documento, o log e a data. O que não está registrado não aconteceu.
Metade das dez evidências nasce no jurídico, metade na TI, e nenhuma se sustenta sozinha. Comece pelo que dá para medir hoje — acesso, log e backup — e estruture o resto com consultoria em tecnologia.
Comece pelo diagnóstico, não pelo documento
Mapeamos os controles técnicos que sustentam a sua adequação à LGPD e apontamos os próximos passos em ordem de prioridade.
Sem compromisso. Resposta em até 1 dia útil.

